Cartas do Vazio

textoA cartografia tranquiliza-nos. Permite que os espaços se domestiquem de forma a podermos ir e vir sem nos perdermos, sem deixarmos de ser ou estar.

Por isso damos nome aos territórios e a tudo o que neles está contido. Medimos as suas distâncias, alturas e profundezas. Mapeamos para não nos perdermos e para reclamar as conquistas.
Procurei no planisfério territórios vazios, delimitados e definidos por uma retícula de paralelos e meridianos, que entre as suas malhas não apanharam qualquer matéria utilizável para cumprir o seu propósito: achar-nos. Respeitando as divisões que a cartografia impõe, fui verificando uma quadrícula cheia de espaços sem referências, de não-lugares (utopos) que não sendo nada, podem vir a ser tudo.

“Cartas do Vazio”, 2013
série «Compêndio do Nada»
21 imagens com vincos de dobragem
impressão a jacto de tinta
97x61cm